Já comentei antes sobre o TEIA. Quem quis participar do evento (qualquer um podia, formado ou não, jornalista, ativista política, admirador da cultura brasileira...) ficou encarregado de cobrir uma parte dos acontecimentos do evento no período de 07 a 11 de Novembro.
Escolhi primeiro escrever sobre a aula-espetáculo de Ariano Suassuna no Grande Teatro do Palácio das Artes.
Segue agora o texto:
Após a abertura do TEIA 2007 ontem ,07 de Novembro, com as presenças do presidente Lula e do ministro Gilberto Gil, eis que o verdadeiro início do evento deu-se na manhã de hoje, dia 08. E não podia ser melhor que um evento desse porte - que trata de discussões e debates sobre o resgate da cultura brasileira - começasse com a presença ilustre de Ariano Suassuna.
Em traje esporte fino (ou seria Sport fino?!), costurado por Dona Edite, com as cores do seu time pernambucano de coração, Ariano subiu ao palco ao lado do ministro da Cultura, sendo alvejado por aplausos de todos que ali teriam a honra de acompanhar (por mais de uma hora) uma aula-espetáculo, no sentido mais literal da expressão.
Com todo o conhecimento de um secretário de Cultura, dramaturgo, escritor e profundo conhecedor da cultura brasileira, o autor de O Auto da Compadecida conduziu a aula com seu bom-humor característico, fazendo com que as gargalhadas do público, atento por devorar tudo que o grande mestre paraibano tinha para transmitir, ecoassem no Grande Teatro do Palácio das Artes.
Ariano não perde uma única oportunidade de elevar a cultura nacional em detrimento da estrangeira. Pra ele o que falta ao povo brasileiro é um pouco mais de auto-estima, pois "durante muito tempo quiseram nos ensinar que somos um povo de segunda classe, mas na verdade somos de primeira." E exemplifica sua afirmação citando os artistas brasileiros que não devem nada a nenhum gringo por aí: Aleijadinho, com seus geniais Doze Apóstolos, o desconhecido arquiteto Gabriel Joaquim dos Santos - autodidata que aprendeu o que sabe com a ventania - com a construção incrível da Casa da Flôr e o futebol alegre de Robinho são apenas alguns exemplos dos artistas corajosos que fazem com que Ariano Suassuna fale do Brasil com uma paixão e emoção que nos faz arrepiar a cada pausa no final de uma frase, que nos tira do rosto um sorriso que há muito estava escondido.
Lá pelo final desse verdadeiro espetáculo, um grito no final da sala rompe aquele momento em que a platéia espera, com grande receio, uma despedida do mestre. "Salve Ariano Suassuna!". Ele, com a elegância de seus oitenta anos, gesticula para o público e olha para o autor da frase, enquanto os pêlos de meu braço se eriçam como que prevendo o que será dito. E irrompe, ali do alto, na voz rouca de um senhor de oitenta anos: "Salve o povo brasileiro!"
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
você agora está na minha barra dos favoritos.
vai riscando que vou atrás... devorando, rindo, concordando ou não...
mas sempre por aqui.bj
Postar um comentário